domingo, 13 de janeiro de 2013

Uma das coisas que descobri quando era professor é que ninguém escolhe a última fila em vão. Nem sempre um rapaz a escolhe por ser o malandro, a última fila é aquela de onde se vê todos os outros sem se ser visto - é a fila do escritor, do artista.
Juan Mayorga


Este era o mote de uma peça de teatro que fui ver o ano passado. Uma peça um tanto complexa é facto.

Esta introdução dá-nos tanto que pensar... Não é verdade que costumamos associar sempre os da última fila do autocarro, os da última fila na sala de aula, os da última fila no cinema aos "malandros"? Os da última fila do autocarro porque geralmente são os mitras que ocupam esses lugares e escutam música em alto e bom som. Os da última fila na sala de aula porque geralmente são os mais rebeldes que se um dia não levarem falta disciplinar é porque estavam doentes e faltaram às aulas. E os da última fila do cinema... por razões óbvias!
Mas também é verdade que nem sempre isto é tão linear. Da última fila a visão é mais ampla. Distraímo-nos com maior facilidade porque sob esta perspectiva estamos mais sensíveis a outras coisas que não unicamente o nosso foco. Como dizia, a visão é mais ampla. É fundamental por vezes ausentarmo-nos dos nossos costumes, sentar noutra cadeira e tentar ver mais alto. Nem tudo aquilo que parece é e isso é uma das coisas que tenho estado a aprender diariamente.

sábado, 12 de janeiro de 2013

Há dias em que me sinto abaixo do chão.
Esse é um desses dias.
Por mais banhos que tome continuo a sentir-me imunda.
Se o tempo voltasse atrás...

Dizem que depois da tempestade vem a bonança
Mal posso esperar...

vem comigo

Leila (Lauren Lee Smith) é uma mulher sexualmente insaciável que estabelece relações com homens através de breves encontros sexuais. Uma noite, numa festa, Leila conhece David (Eric Balfour) e imediatamente existe uma enorme tensão sexual entre os dois. Mutuamente atraídos, iniciam uma relação em que a sedução e o prazer não têm limites e onde o sexo é uma forma de comunicação. Mas Leila e David começam a aperceber-se que o seu relacionamento é diferente de tudo aquilo que já sentiram. Pela primeira vez, os dois sentem necessidades e desejos que vão para lá do físico. Baseado na obra homónima aclamada pela crítica de Tamara Faith Berger, uma história onde a sedução e o sexo dão lugar a um sentimento de amor profundo entre um homem e uma mulher.

Quando me perguntarem qual o filme da minha vida aqui está a resposta. Mudando o nome das personagens a essência deste filme resume os meus últimos dois anos e além disso foi precisamente por causa deste filme que essa etapa da minha vida teve inicio... Memórias que ficarão para sempre.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Há dias em que não dá vontade acordar e lembrar que não tenho o meu melhor amigo.
Às vezes preferia que ele tivesse morrido. Pelo menos as perguntas não seriam tantas.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

« Sei que um dia te vais lembrar de mim, e os números da tua agenda passarão claramente à tua frente e não terás nenhum para marcar, talvez até tentes o meu, mas até lá posso não te atender ou talvez aquele já nem seja o meu número. Vais tentar chamar alguém, mas não vai haver ninguém que largue tudo para te ir dar um abraço. (...) »
Teresa.

sábado, 5 de janeiro de 2013

13 desejos para 2013

1. Socializar mais.
2. Festejar mais.
3. Relativizar mais.
4. Ler mais
5. Trabalhar mais.
6. Saúde: mais
7. Descontrair mais.
8. Exercitar mais
9. Conduzir mais.
10. Engordar mais.
11. Estimar-me mais.
12. Gastar mais.
13. Amar-me mais.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Lembras-te quando fomos ao castelo? Nessa altura ainda era tua princesa. Nesse dia pisaste aquela estrangeira por duas vezes. O teu embaraço já era tanto que já nem sabias como pedir desculpa. Não te lembras?

Mas lembras-te com certeza daquelas férias magníficas em que logo cedo pela manhã estavas em minha casa. Oito, oito e meia, mais tardar. E tantos filmes que vimos! Sou incapaz de listá-los. Lembras-te quando comemos as maçãs e as pêras, desfeitas em pedaços, em cima dos nossos corpos nus? E quando comi mel? Ás tantas já era enjoativo! E daquela vez em que te preparei uma surpresa: comprei roupa nova, preparei um prato com aperitivos, as velas e o vinho e tu - tão desastrado que tu eras - com um simples expirar apagaste as velas! Lembras-te dos desenhos que fizemos? Tenho-os guardados num dossier. Ambos estamos um pouco deformados! E daquela vez que desarrumamos a minha sala para montar os colchões, levaste-me para a cozinha e mesmo em cima da mesa fizemos amor. Também não te lembras?! E daquele dia em que decidimos estudar... Ah sim! como me pude esquecer? - foste meu aprendiz a princípio.
Não te esqueceste pois das sextas-feiras em que fui assistir às tuas aulas. A professora parecia repetir exactamente as mesmas piadas, ano após ano.

Mas hás-de te lembrar dos nossos banhos. Ainda me vejo a espremer a esponja contra o teu corpo e a espuma a escorrer... Recordas-te certamente dos dias em que íamos nadar com o teu amigo. Oh que recordações! E quando iamos treinar no parque...? Ou quando iamos brincar no parque com o teu cão ao som do saxofone? Surpreende-me que não te lembres...

E o palco? O palco onde nos conhecemos e contracenámos. Não te recordas? Nem dos nossos passeios junto ao rio? Ou quando fomos aos jardins da Gulbenkian? Ou dos nossos inúmeros cafés no shopping? Nunca percebi a tua mania por coleccionar chávenas de café. Ahahaha e quando fomos à biblioteca angariar supostamente cultura e acabamos por aprender que as posições do amor dependem muito da criatividade. Também não te lembras? Como pode?

Tens a carta que de dei quando regressei daquela viagem? Os chocolates eram bons? A camisola que te dei ainda usas ou já está gasta pelo tempo? Já gastaste o perfume que te ofereci? E o livro ainda está na mesma prateleira?

Bom, talvez te lembres da noite do teu aniversário. Comprei aquele vestido especialmente para aquela data. A tua família é muito carinhosa. E lembras-te do meu primeiro almoço em tua casa? Recordo-me tão bem: febras com arroz e salada. E as massagens?! Nem sequer disso te lembras? Espanta-me! As pedras quentes sobre o meu corpo.... (Apagaste essa foto?). Nem do dia em que tinhas consulta no oculista e chegaste atrasado por minha causa...? Ou daquela noite debaixo das estrelas e debaixo da chuva... Ou do marco geodésico... Ou daquela tarde em frente ao campo de futebol... Ou da primeira noite em que comemorámos num jantar o dia de São Valentim... Ou dos intervalos na escola em que namorávamos nas escadas temendo que algum professor aparecesse... Ou daquela vez em que lambeste as minhas lágrimas porque eu chorei de tanto prazer...
Nada?!

Vá... Mas de algo tens de te lembrar! Não posso acreditar que não te lembres das nossas lindas mensagens que trocávamos por telefone. E daquelas manhãs em que eu acordava inspirada e mandava-te quase um testamento para te desejar um bom dia. Fui tão feliz nessas manhãs. E das nossas chamadas telefónicas que duravam horas e horas e horas. Tu cantavas para mim...

E quando jogávamos as cartas? Eu sou bem melhor que tu, sabes bem! E lembras-te daquela madrugada em que caminhei meia hora, temendo um assalto ou um estupro, só para estar deitada ao teu lado? Por pouco acordávamos os vizinhos! Ou quando deitados na tua cama imaginávamos uma câmara fotográfica no tecto e esboçávamos as posições mais rídiculas! Somos tão parvos.

Até mesmo quando escrevias cartas para os teus dois amores. Até disso me lembro bem.

Mas de nada disto te lembras? Como é possível? Qual o motivo dessa amnésia? Que droga é essa tão rápida e tão eficaz? Que fármaco é esse capaz de apagar em segundos o que demorou anos a construir? Mostra-me. Quero prová-lo porque também eu quero ter amnésia.

A dor de uma traição é muito grande. Lembro-me que durante toda aquela noite tentei abafar o meu choro contra a almofada.
A dor que sinto neste momento já não é uma dor expressável com lágrimas. É uma dor imensurável que se expressa com palpitações no coração.
É a dor de perceber que o teu presente é consequência dos grandes erros que cometeste no passado.
É perceber que hoje poderias estar a estudar para os exames do curso que sempre sonhaste seguir e estás a estudar para os exames da faculdade ao lado.
É perceber que poderias estar a dedicar-te inteiramente ao teu estudo mas em vez disso tiveste que ir trabalhar para os pagar.
É perceber que podias ter agora pais prontos a ajudar-te e tens pais muito desiludidos contigo.
Tudo isto porque amaste alguém. Alguém que nem sequer conheceu o significado da palavra amor ao teu lado. Alguém que se calhar nem sabe nem valoriza isto.
É perceber que podias não ter engravidado. É perceber que podias não ter abortado.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Na noite de passagem de ano tive um sonho macabro.
Ele não tinha braços nem pernas. Pernas só até ao joelho, braços não existiam de todo.
Ainda assim O amava.
Não dou importância às possíveis interpretações que os sonhos possam ter, mas se este sonho tivesse uma interpretação certamente seria: eu amo-O incondicionalmente.

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Eu via sombras. Sombras que tinham forma e cor. Agora não são mais do que isso: sombras de um passado que se perdeu.