domingo, 13 de janeiro de 2013

Uma das coisas que descobri quando era professor é que ninguém escolhe a última fila em vão. Nem sempre um rapaz a escolhe por ser o malandro, a última fila é aquela de onde se vê todos os outros sem se ser visto - é a fila do escritor, do artista.
Juan Mayorga


Este era o mote de uma peça de teatro que fui ver o ano passado. Uma peça um tanto complexa é facto.

Esta introdução dá-nos tanto que pensar... Não é verdade que costumamos associar sempre os da última fila do autocarro, os da última fila na sala de aula, os da última fila no cinema aos "malandros"? Os da última fila do autocarro porque geralmente são os mitras que ocupam esses lugares e escutam música em alto e bom som. Os da última fila na sala de aula porque geralmente são os mais rebeldes que se um dia não levarem falta disciplinar é porque estavam doentes e faltaram às aulas. E os da última fila do cinema... por razões óbvias!
Mas também é verdade que nem sempre isto é tão linear. Da última fila a visão é mais ampla. Distraímo-nos com maior facilidade porque sob esta perspectiva estamos mais sensíveis a outras coisas que não unicamente o nosso foco. Como dizia, a visão é mais ampla. É fundamental por vezes ausentarmo-nos dos nossos costumes, sentar noutra cadeira e tentar ver mais alto. Nem tudo aquilo que parece é e isso é uma das coisas que tenho estado a aprender diariamente.

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